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Motorista de BMW condenada a pagar R$ 2 mi por morte de adolescente no PR também deve ser julgada por homicídio e tentativa de homicídio
01-08-2026 07:04

Motorista é condenada a pagar R$ 2 milhões por acidente que matou adolescente
Maria do Carmo Carneiro também será julgada na esfera criminal pela morte de Anthony Pietro aos 14 anos.
Na esfera cível, a mulher de 78 anos foi condenada a pagar R$ 2 milhões em indenização à família do adolescente.
Ela era a motorista da BMW que bateu no carro em que o adolescente estava com o pai, há quase dois anos. ⚖️A esfera cível e a esfera criminal são áreas da Justiça que atuam de forma independente.
Enquanto a esfera criminal busca punir crimes contra a sociedade, a esfera cível busca medidas para reparar ou compensar danos causados e resolver conflitos de interesses entre as partes. Em março deste ano, o Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR) decidiu que ela deverá ser submetida ao júri popular, respondendo pelos crimes de homicídio qualificado e tentativa de homicídio.
Contudo, a defesa dela recorreu da decisão e o recurso está sendo analisado.
✅ Siga o canal do g1 Maringá e região no WhatsApp O acidente aconteceu no dia 24 de novembro de 2024, na rodovia PR-558, em Campo Mourão, no centro-oeste do Paraná.
Anthony tinha 14 anos e estava voltando para casa com o pai, após fazer um vestibular.
Entenda mais abaixo. Maria do Carmo chegou a ser presa em flagrante e foi indiciada pelos crimes de homicídio doloso com dolo eventual — quando se assume o risco de matar —, lesão corporal culposa agravada, condução sob influência de álcool e por dirigir com carteira de habilitação suspensa. Atualmente, ela cumpre prisão domiciliar.
Maria do Carmo foi condenada a indenizar família de adolescente que morreu em acidente em que ela se envolveu. Reprodução/Redes sociais Na esfera cível, motorista foi condenada a indenizar pais da vítima por danos morais e materiais Na esfera cível, o Poder Judiciário determinou que Maria do Carmo pague R$ 2 milhões por danos morais, divididos entre o pai e a mãe de Anthony.
Também solicitou o pagamento de R$ 31.257,76 por danos materiais, devido a despesas hospitalares e com o funeral do adolescente. A condenação foi decidida pelo juiz Marco Antonio dos Santos, na Vara Cível de Peabiru.
A sentença reconheceu a culpa da motorista pelo acidente, devido ao excesso de velocidade, ultrapassagens proibidas e fortes indícios de embriaguez.
A motorista ainda pode recorrer da decisão. Procurado pelo g1, o advogado de Maria do Carmo informou que não vai se manifestar sobre a condenação. Anthony Pietro, de 14 anos, morreu após BMW bater no carro em que ele estava Arquivo Familiar O que diz a sentença O g1 teve acesso ao documento da sentença.
Nela, consta que o juiz tomou a decisão de condenar Maria do Carmo com base no laudo da perícia e no parecer técnico contratado pelos pais de Anthony.
Ambos os documentos apontaram que a BMW invadiu a pista contrária, em uma velocidade muito acima do limite.
Conforme os laudos, o veículo atingiu a velocidade de 137 km/h, enquanto o limite permitido na via era de 80 km/h. Impacto foi tão violento que motor da BMW foi arrancado e veículo pegou fogo RPC A defesa tentou argumentar, por meio de um parecer técnico, que a motorista teve a visão ofuscada pelo sol em uma curva no local.
Porém, o argumento foi rejeitado pelo juiz, que apontou erros técnicos e disse que as testemunhas contradisseram a versão da denunciada.
Além disso, foram listados indícios de que Maria do Carmo estava bêbada.
Segundo o documento, enfermeiros e o pai de Anthony disseram que ela estava com odor etílico e que apresentou "comportamento ríspido e fora da realidade".
Também consta que a motorista se recusou a fazer o teste do bafômetro, depois que um médico da família chegou ao hospital e interveio no atendimento.
Durante as investigações, a polícia ainda comprovou, por meio de consultas ao Infoseg e ao Detran, que a mulher estava com a CNH suspensa.
Segundo os documentos anexados nos autos dos processos, a suspensão ocorreu devido à reincidência e ao acúmulo de infrações de trânsito de natureza grave e gravíssima, além de excesso de velocidade e direção perigosa.
Para pai, dinheiro 'não vai trazer filho de volta' Apesar do alto valor de indenização, Luiz Thiago Rosa, pai de Anthony, diz que a decisão não reduz a dor da perda.
"É mais uma batalha ganha, traz um pouco de sensação de que a justiça está sendo feita, porém esse dinheiro não nos traz felicidades e, infelizmente, nem meu filho de volta", disse o pai. Na sentença, a Justiça considerou que o valor pedido pelos advogados da família é compatível com a renda da denunciada.
"A capacidade econômica considerável da ré [...] permite a fixação de valor indenizatório que cumpra efetivamente as funções compensatória, punitiva e preventiva da responsabilidade civil, sem comprometer a subsistência da ré", diz o documento. "A intenção sempre foi pesar bastante nessa questão cível, no intuito de punir ela, pois sabemos que, mediante a idade que ela está hoje, o criminal não será tão rigoroso", explicou Thiago.
Ele conta que a esposa ainda sofre com a perda do filho e faz tratamento psicológico e psiquiátrico.
Além disso, a filha de 9 anos também sente a falta do irmão, segundo Thiago.
"Que a condenação dessa senhora sirva como exemplo para a sociedade e para que nossas autoridades olhem com mais atenção os casos de mortes por embriaguez ao volante, que as penas sejam exemplares e rigorosas", finaliza.
Anthony Pietro e o pai Luiz Thiago Rosa.
Jovem tinha 14 anos, quando morreu em acidente. Cedida/ Luiz Thiago Rosa Relembre o acidente Thiago, pai de Anthony, afirma que não conseguiu desviar do carro, que, segundo ele, estava em alta velocidade e andando pela pista em zigue-zague. O impacto foi tão violento que o motor da BMW foi arrancado e o veículo pegou fogo às margens da rodovia. O pai contou que ele e o filho voltavam para Araruna, onde moravam.
Os dois tinham ido a Campo Mourão, onde o adolescente fez uma prova para ingressar no ensino técnico da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR). "Ele morreu com o gabarito na mão.
Antes, ele falou 'pai, eu acho que passei'.
Ele só queria estudar", lamenta o pai. De acordo com a família, Anthony era um adolescente tranquilo, com aptidão para a música.
O menino gostava de tocar violão, guitarra e bateria. Gostava também de andar de skate e acompanhar jogos de futebol.
Ele deixou os pais e uma irmã mais nova.
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